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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Paz. Eu quero paz.

No fim das contas a gente deixou a torneira mal fechada. Definitivamente pingando. O ralo tá tampado e a cada gota a pia enche de saudade. À medida que ela vai transbordando, a gente parece que vai perdendo o chão pra se apoiar, como se aquilo fosse um oceano e a gente estivesse à deriva sem fé na salvação. 
Pessoas deveriam se importar mais com as outras. Onde já se viu causar dilúvio no terreno alheio? Só me disseram "continue a nadar", mas ninguém avisou como seriam os dias de tempestade. "Sobreviva". "Se vira". "Aguenta". Aí a gente nada que é pra tentar encontrar uma terra pra pisar.
Uma hora ele volta e finge te dar fôlego pra continuar, mas na verdade é só uma armadilha pra te cansar e adiar ainda mais o que a gente já procura faz tempo: paz.

domingo, 18 de outubro de 2015

Esperança?

Tudo começa com aquela intuição (vai com calma), mas o caso parece tão certo que você se joga num romance a 200 km/hr, e mesmo achando que tá rápido não diminui a velocidade. Quando a cosciencia dá um alarme (cara, vai dar merda) você percebe que os freios foram cortados, à frente tem um abismo e não existem asas ou trampolins eficientes o suficiente pra te amortecer na queda livre. A essa hora a razão surgiu, infelizmente tarde de te impedir do tombo, mas a tempo de te dizer "eu avisei". Pronto, você tá apaixonada, e o pior de tudo é esse sentimento de que nada cura suas feridas quando quem te fez acelerar já foi embora atrás de outra adrenalina. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Tão estranho quando eu sinto o vazio, a angústia, a ausência que fica depois do fim. É curioso como podemos passar por todas as fases de um encontro e provar dos sentimentos doces e amargos. Bem adequado lembrar que o Wanderlei soube rimar sobre o mel e fel. O engraçado é que mesmo depois de tantos encontros (dos esperados aos imprevistos) não deixo essa mania de me apegar aos detalhes, de acreditar de novo, de colocar fé no suposto "verídico". Mas talvez essa seja a real graça, a bagagem, a experiência, a colheita do que se plantou. Ainda preciso acreditar nos efêmeros casos de amor até que chegue o dia de repousar o corpo em apenas um só corpo, no escolhido, no esperado e verdadeiramente destinado a mim - se é que eu ainda acredito em destino. Na verdade, por falar em destino, se ele existe, é bastante confuso. Sei que soa estranho, mas eu não seria a primeira pessoa no início da vida adulta a pensar se existe mesmo alguém que completa a metade da minha laranja. Não que precise ser alguém perfeito, mas poderia pelo menos ser uma pessoa disposta a aguentar meus ciúmes, minhas desconfianças, meus defeitos e ainda assim conseguir quebrar o gelo do "eu te amo" e despertar em mim o desejo de corresponder os carinhos e dar ao outro tudo aquilo que até hoje continua no campo da opressão. Acredite, o campo da opressão é bem grande.
O segredo pode ser encontrar alguém assim, ou apenas simplesmente me encontrar. Descobrir a si próprio às vezes é mais desafiador do que descobrir o outro.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A despedida

Oi, quanto tempo, né? Já faz dias que eu não tenho mais paz. Eu sei, não tinha muito, mas aquilo me bastava, e me satisfazia tanto que nem parecia realidade. Ou talvez nem fosse, foi por tão pouco tempo. O que é pouco? E o que é tempo? Não que pouco seja necessariamente um sinônimo de coisas curtas ou tão rápidas, mas acho que foi tão pequeno perto do que poderia ter sido. Quem sabe o tempo, curto ou longo, soube passar tão devagar que aquelas semanas pareceram meses. Quem sabe o pouco foi muito, e quem sabe o muito foi demais. Quem sabe?
Quem deveria saber era eu, era você, e que desconhecedores desse ramo nós somos. Que pena que nós já não somos nós, e mesmo não sendo nós, eu não quero que os nós desatem. Você quer?
Uma hora a gente sabia, podia ser a qualquer momento, que essa hora chegaria. E que triste, meu bem, é te ver partir e eu nem sequer me permitir de pedir pra você ficar. Não posso, não quero (ou quero?).
Compartilharia da tua felicidade se ela pudesse ficar junto de mim ao invés de partir, ainda mais sem destino certo. Que alegria seria se eu pudesse talvez zarpar contigo, mas que alegria seria essa se por ti eu deixasse a vida, os sonhos, a realidade, a família e tirasse os pés do chão? Eu queria tanto ficar no teu colo, mas quem seria eu se - fechadas as asas - me permitisse viver sobre a tua sombra? Que graça teria o viver se pelos prazeres eu perdesse os deveres?
Que triste, meu bem, mas parece que - por fim - chegamos aonde chegaríamos. Quanto mais tardou, mais queimou, mais pulsou, mais ferveu, mais amou. Amamos, fervemos, queimamos, tardamos, sofremos. Sofri, chorei. Sofro, chorarei. Mas um dia, meu lindo, por ti eu sorrirei.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sobre pensar e pagar análises

Andar de ônibus tem vantagem, sabia? Não me refiro ao custo baixo ou ao discurso de que é uma solução para o aquecimento global porque diminui a quantidade de veículos nas ruas (o que ocasionalmente também ajudaria na economia de tempo por causa do trânsito), mas voltar pra casa escutando o que bem entender nos fones e de quebra pegando um ventinho na cara, é ótimo pra pensar. Durante o dia a gente chega atrasada na aula, perde prova, vai mal do estômago, da perna, fica com dor de cabeça, aguenta amiga depressiva, gente enjoada, grosseria alheia e ainda se aguenta quando tá estressada. É puxado.
Mas larga o carro, a moto, a bicicleta e pega ônibus por um dia. Dá pra analisar a vida muito melhor depois de olhar de outro jeito. Dentro dele tem preto, índio, branco, amarelo, azedo, perfume barato, perfume ruim, gente escandalosa, gente discreta, cabelo pixain, cabelo escorrido, careca, galera estranha e tudo mais. Na verdade, pode-se dizer que tem de quase tudo. Você olha pr'aquilo que tem lá, mas não olha pra si. Dá de ver os defeitos de todo mundo e até se colocar como melhor que eles, mas cheirar da própria caatinga que é bom ninguém quer.
A gente - porque ninguém é perfeito - tem essa mania de julgar os outros e fazer de conta que o resto é menor do que a gente, arriscando salientar que ali a inteligência é uma ervilha e aqui uma pêra bonitinha. Novidade: nessa feira, frutas e verduras um dia morrem. Guarda isso. 
Com essa mania, perde-se a capacidade de analisar os pensamentos decorrentes de nós mesmos. Talvez por isso psicanalista, psicólogo, teraupeuta e o escambal arrancam tanto dinheiro dos nossos bolsos já furados. Voltando pro onibus, você vai reparando na loira blondor ali sentada esperando chegar na sua parada e se questiona porque ela não foi no salão dar uma melhorada nesse cabelo de empreguete, ou então no cara fedorento que passou ainda agora com a roupa do trabalho toda suja e suada - será que não dava pra pelo menos passar um deosodorantezinho? Olha, sinceramente, acho que eu deveria ser psicanalista ao invés de cursar gestão publica e desenvolvimento regional. Whatever. Eu também to analisando melhor a vida dos outros ao invés da minha. Eu adoro decifrar os outros. Talvez também seja por isso que evitar contato íntimo com gente recém conhecida é tão forte. Depois de descobrir muitas pessoas, a gente preconiza o estilo de cada tipo delas. Meio caminho andado pra saber se dá pra se aproximar ou não.
Saber disso é bom, mas nem tanto. As desconfianças aumentam, nosso escudo sobe, fica cada vez mais difícil de abrir o círculo de convívio, e a probabilidade de arranjar um parceiro piora muito mais. [Ter amigos homens + saber dos seus segredos + conhecer a realidade = 4ever alone]. Talvez também seja por isso que eu nego e dispenso todas as oportunidades de viver um novo romance, daqueles de encher o peito de amor, planos e blá blá blá. Tô pensando até em ir no psicólogo, isso tá se tornando um sério problema.
Olha só como a gente precisa não só olhar pro outros, mas pra si mesmo. Quando não cumprimos com nosso auto-descobrimento, pagamos uma pessoa que estudou pra fazer isso por nós. Que vergonha. Pra tentar amenizar a coisa, eu entro no ônibus, coloco os fones, ouço minhas músicas e, além de reparar nos outros, fecho os olhos pra tentar imaginar como eles também estão me vendo: só alguém voltando pra casa ou mais uma pensadora que não consegue descobrir sobre si mesma?

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Amorteceu, morreu

Daqui de onde estou, olho pra trás e vejo o quanto já passei só pra ter teus dedos correndo minha pele e tua boca me beijando, teu desejo louco perturbando meus sentidos. Que louco. Esperava mais de mim. Esperava não me deixar exposta, nem a vista, muito menos à disposição. Que triste estar sempre a postos te esperando. Um absurdo deixar que todos os teus gostos fluíssem em mim tão perfeitamente. Tão intenso também querer sentir teu calor mais perto e tocar tuas marcas, teus pelos, tua incrível falta de cor estampada na pele. Que absurdo te querer até na rua, em casa, no ar, na terra, no presente e futuro. E quando teus rastros sumiam, que agonia. Todos me viam e desejavam principalmente o que eu guardava pro nosso prazer.  E eu ia me entregando, sem cautelas nem roupas, mas você surgia e ressurgia  e - mesmo depois de ter jurado minha independência de ti - voltava pro teu suor e instinto animal. Devorava-me com palavras, mordidas, movimentos, roubava-me o sim pros teus quereres. Que absurdo chegar ao ponto de ser tua súdita. Dando a ti sem exigir nada em troca, mesmo morrendo por dentro com sentimentos reprimidos e abafados. Apertados a tal ponto que amorteceram, dormiram, ou morreram sem ar, sem alimento. É, meu antigo bem, conseguiste o que não vai ser desfeito. Amor em excesso machuca, dói, e morre. Morri. Quem diria que agora quem morrerá de amores é você.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

uma salva de palmas à Carrie


Enquanto eu me vicio mais e mais em sex and the city, me identifico proporcionalmente com Carrie Bradshaw. Ela vive à base de experiências pessoais compartilhadas na sua coluna que dá nome ao seriado. Claro que ela não expõe o nome verídico dos personagens, mas esclarece os seus próprios questionamentos quanto a relacionamentos e fatos curiosos do dia a dia em Manhattan.

O que mais me encanta é a proximidade das histórias dela com as minhas e das minhas amigas, e não é à toa que recomendo para que todas elas assistam. Relacionamentos conturbados, medos, confissões entre amigas, o forte laço de companheirismo, traumas, piadas internas e muito mais experiências, reforçam mais uma das minhas teorias: “Manhattan também é aqui”.

Aqui, aí e em todos os lugares, vivemos lutando com o choque da realidade das mulheres serem o sexo frágil da relação. Não que mulher seja um sexo frágil – nós aguentamos problemas muito mais que os homens – mas quando o assunto é coração, quase sempre a balança inverte.
Quando novas, tememos o envolvimento (apesar de certo modo desejá-lo), e, quando mais velhas, vem o medo do futuro, de não criar família ou conseguir um relacionamento estável (é o que percebo ao assistir a série).
Quanto ao medo de relacionamentos eu posso falar sem problemas. Sofro desse mal e queria muito conseguir entender como alguém chega ao ponto de temer o envolvimento com outra pessoa só por que em uma, duas ou três vezes anteriores a essa, não deu certo. Na verdade pode até ter dado certo, quem disse que dois meses (por exemplo) não é um bom tempo a se considerar? Pra quem nunca havia namorado ou dito um “eu te adoro”, dois meses se constroem com muito esforço, e isso com certeza é muita coisa. Resumindo, "dar certo" é relativo.
Mais um ponto em comum com a Carrie: escrever sobre a realidade, seu outro lado da moeda e suas outras possibilidades de existência. A personagem pode ser fictícia, mas a essência existe e está espalhada por todos os cantos, nas mulheres e suas infinitas formas de analisar fatos e pessoas.
Está em mim, pode estar em você, e não se trata de entender tudo, mas de ver por outro ângulo o que antes forçávamos enxergar apenas pelo modo que nos convinha.
Em especial, hoje assisti um episódio com uma das sacadas mais interessantes dentre as que eu já vi na série. Depois de passar por altos e baixos com o Sr. Big durante dois anos, Carrie o vê NOIVO de outra mulher. Parecia que os dois anos que passaram juntos não havia valido de nada, e ela não entendia porque ele ia se casar depois de ter dito a ela que nunca mais o faria novamente – sim, o Sr Big já havia sido casado com outra mulher tempos atrás. E olhando diferente para a situação, Carrie concluiu que o problema não era ele, e sim ela mesma:
“Então eu pensei: Talvez eu não tenha domado o Big. Talvez o problema era que ele não conseguiria me domar. Talvez algumas mulheres nunca serão domadas. Talvez elas precisem ficar livres até encontrar alguém selvagem como elas, e andar juntos”
Mais uma vez, faço minhas as suas palavras. Pode durar um, dois, três ou quatro anos, se não forem compatíveis, não andam juntos. Por mais essa lição, queridos, é que eu digo::::
Manhattan também é aqui.