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terça-feira, 30 de outubro de 2012

uma salva de palmas à Carrie


Enquanto eu me vicio mais e mais em sex and the city, me identifico proporcionalmente com Carrie Bradshaw. Ela vive à base de experiências pessoais compartilhadas na sua coluna que dá nome ao seriado. Claro que ela não expõe o nome verídico dos personagens, mas esclarece os seus próprios questionamentos quanto a relacionamentos e fatos curiosos do dia a dia em Manhattan.

O que mais me encanta é a proximidade das histórias dela com as minhas e das minhas amigas, e não é à toa que recomendo para que todas elas assistam. Relacionamentos conturbados, medos, confissões entre amigas, o forte laço de companheirismo, traumas, piadas internas e muito mais experiências, reforçam mais uma das minhas teorias: “Manhattan também é aqui”.

Aqui, aí e em todos os lugares, vivemos lutando com o choque da realidade das mulheres serem o sexo frágil da relação. Não que mulher seja um sexo frágil – nós aguentamos problemas muito mais que os homens – mas quando o assunto é coração, quase sempre a balança inverte.
Quando novas, tememos o envolvimento (apesar de certo modo desejá-lo), e, quando mais velhas, vem o medo do futuro, de não criar família ou conseguir um relacionamento estável (é o que percebo ao assistir a série).
Quanto ao medo de relacionamentos eu posso falar sem problemas. Sofro desse mal e queria muito conseguir entender como alguém chega ao ponto de temer o envolvimento com outra pessoa só por que em uma, duas ou três vezes anteriores a essa, não deu certo. Na verdade pode até ter dado certo, quem disse que dois meses (por exemplo) não é um bom tempo a se considerar? Pra quem nunca havia namorado ou dito um “eu te adoro”, dois meses se constroem com muito esforço, e isso com certeza é muita coisa. Resumindo, "dar certo" é relativo.
Mais um ponto em comum com a Carrie: escrever sobre a realidade, seu outro lado da moeda e suas outras possibilidades de existência. A personagem pode ser fictícia, mas a essência existe e está espalhada por todos os cantos, nas mulheres e suas infinitas formas de analisar fatos e pessoas.
Está em mim, pode estar em você, e não se trata de entender tudo, mas de ver por outro ângulo o que antes forçávamos enxergar apenas pelo modo que nos convinha.
Em especial, hoje assisti um episódio com uma das sacadas mais interessantes dentre as que eu já vi na série. Depois de passar por altos e baixos com o Sr. Big durante dois anos, Carrie o vê NOIVO de outra mulher. Parecia que os dois anos que passaram juntos não havia valido de nada, e ela não entendia porque ele ia se casar depois de ter dito a ela que nunca mais o faria novamente – sim, o Sr Big já havia sido casado com outra mulher tempos atrás. E olhando diferente para a situação, Carrie concluiu que o problema não era ele, e sim ela mesma:
“Então eu pensei: Talvez eu não tenha domado o Big. Talvez o problema era que ele não conseguiria me domar. Talvez algumas mulheres nunca serão domadas. Talvez elas precisem ficar livres até encontrar alguém selvagem como elas, e andar juntos”
Mais uma vez, faço minhas as suas palavras. Pode durar um, dois, três ou quatro anos, se não forem compatíveis, não andam juntos. Por mais essa lição, queridos, é que eu digo::::
Manhattan também é aqui.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Por que viver?


Às vezes a vida parece frágil e difícil de ser levada adiante, dá a entender que seu fim seria o melhor caminho para solucionar problemas e cessar sofrimento. Às vezes a gente pensa que viver já não faz sentido porque o riso anda raro, bons amigos estão escassos, os lugares não nos agradam, as bebidas já não são tão fortes, os vícios ficaram chatos, os perfumes são sempre os mesmos, as pessoas e seus costumes simplesmente perderam a graça. Mas isso é mesmo banal. Tem horas que dá gosto de fazer parte desse shake-shake de altos e baixos emocionais e sentimentais. O vale existe para se chegar à crista, porque nunca ninguém sobe ao pódio sem antes passar, lá embaixo, pela pista.
A vida, mesmo com seus desafios quase insuperáveis, tem a solução dentro de onde a gente menos procura; nosso próprio “eu”. Nenhum desafio é criado sem uma solução, e, naturalmente, viver não estaria fora dessa verdade. Só resta saber encontrar meios de driblar as adversidades e enfrentar com punho forte as missões a nós atribuídas. Se faltar força, não tem problema, porque perto da gente sempre tem alguém que nos ama e ajudará na pior das situações.
Pôr fim à vida não é acabar com os problemas. E, como tudo que se faz tem um preço, a morte pode ter troco salgado e azedo. Interromper a dor de hoje pode anular as alegrias de amanhã, trazer sofrimento por toda semana e perpetuar a saudade para o resto da vida.
Aproveite, viva, veja, sofra, ame, chore, ria, supere. Mas, afinal, faça valer a pena e seja feliz!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

para as Srtas Desespero


Enquanto eu continuo solteira/encalhada/forever alone, vejo várias meninas - românticas, dramáticas ou tristes - procurando incessantemente alguém que acolham-nas (sedentas por carinho, passeios de mãos dadas, filmes à dois, beijinhos de surpresa e abraços acolhedores). Estranhamente elas acreditam que algum milagre matemático possa acontecer e fazer com que 1 mais 1 seja igual a 1 (oi?).
Pensar isso é meio absurdo e invasor. Como alguém pode desejar que dois indivíduos se tornem um só? Todos precisam da sua própria vida, dos próprios  pensamentos. Acredito na teoria da "medida certa": somos amantes (não me entendam pelo lado adúltero), e naturalmente temos a nossa intimidade, nossos momentos a sós, mas isso não significa que faremos tudo juntos. Afinal, ninguém quer cagar enquanto cheira a merda do outro. Acima de tudo, somos seres humanos que precisam de espaço para as peculiaridades que couberam a cada um.
Querer passar junto as 24 horas do dia, 7 dias por semana, todas as semanas do mês, já é demais. Mulher precisa de tempo pra ir no salão, se depilar, fazer as unhas, arrumar o cabelo, cuidar da pele, encontrar com as amigas, estudar, trabalhar e tantas outras coisas. Homem precisa encontrar os amigos, tomar a santa cervejinha, conversar besteira/sacanagem, assistir ou até jogar uma bolinha semanal e ainda trabalhar. Todo mundo tem uma vida que não dá pra adiar nem pra compartilhar a todo momento.
Portanto, senhoritas desesperadas, começem a exercitar o desapego das coisas e das pessoas. Querer alguém para si é super normal, saudável e torna até mais apetitoso o próprio dia a dia. Mas cuidado com os exageros, porque, como já diz minha mãe, "tudo que é demais, faz mal".
Um beijo,
            da antiga desesperada.

domingo, 19 de agosto de 2012

Eu quero sempre mais


Não quero implorar migalhas e viver na esperança de um dia isso voltar a dar certo. Foi bom, maravilhoso, me fez um bem danado, mas revirou meu coração e deixou-o na merda quando ele se foi e depois voltou só de passagem – e quantas passagens. Não parece justo ter tanta fé e amor quando as vontades são opostas e caminham completamente desalinhadas. Tá certo, a gente se diverte bastante e até conversa besteiras, porque depois de tantas aparições entre os sumiços dele, foi impossível não criar intimidade. A intimidade é uma puta de luxo que enfeitiça, ela te dá espaço pra contar um pouco de tudo – ou muito de tudo –, te conforta, faz parecer natural todas as vezes que vocês trocam toques, beijos, abraços e olhares, te dá uma satisfação porque alguém ali soube escutar tuas bobagens de algum dos dias que passaram. Alguém te satisfez apenas por emprestar olhos, boca, ouvidos, mãos, pernas, braços e o corpo todo. Alguém se deu por você, ou talvez somente por troca de prazer. É, seria muito bom se, mesmo depois de tudo isso, não aparecesse a necessidade de ter muito mais que um par de horas onde eu sei que tantas outras já passaram.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PameLinda



Nada mais angustiante do que passar teu aniversário longe de ti. Gostaria de hoje poder te abraçar muito forte e comemorar mais um ano de luta, força, felicidade, fé e vida. Parabéns pra ti, gatosa. Eu só tenho a agradecer por existires, por teres te tornado parte de mim, uma irmã, uma conselheira, uma amiga sem igual. Tens a minha eterna admiração por ser alguém que não mede esforços em ajudar, em compreender, mesmo quando tu também precisa. É o que diz aquela citação: "um amigo me chamou para ajudá-lo a cudiar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui”.
Sinceramente, eu acho que estás no caminho certo para ter um futuro brilhante. Medicina é a profissão que te completa. Eu não tenho dúvidas de que terás uma carreira estupidamente sensacional, porque a tua competência é aumentativa da perfeição e simplesmente adequada para a arte de cuidar das pessoas. Se não for esse ano, em 2013 tu tenta de novo. Eu acredito no teu potencial. A vitória do teu vestibular mais almejado vai chegar.
Hoje, dia 07 de Agosto de 2012, acho que posso agradecer a Deus mais do que nunca por ele ter me enviado um anjo em vida, uma princesa, que me atende na madrugada e é meu pilar de sabedoria. Tenho até medo de imaginar como seria se eu não te tivesse na minha existência, assim como todos os amigos. Te amo, linda. Te amo muito e não quero te perder nunca. Te tornaste uma extensão de mim e conquistaste meu respeito, minha admiração. Quero continuar fazendo parte do teu presente até o fim da existência das almas. Obrigada por tudo, principalmente por ser real, por ser amiga.

08/08/12
Só estou postando agora porque ontem eu estava sem internet e muito ruim da minha enxaqueca. Perdão. Feliz aniversário, minha S.T.G.D.!

p.s.: É claro que eu não ia deixar de colocar tua música preferida, né? rsrs


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Agatha


"Agatha: esta pedra fortalece o coração, dá coragem e é um antídoto contra venenos. Aguça a visão, ilumina a mente, concede eloquência, auxilia na descoberta de tesouros e atrai heranças. Ligada à terra, ajuda na obtenção de equilíbrio físico e mental. Desperta a consciência e nos ajuda a uma maior aceitação de nós mesmos criando auto confiança."

Quem previa, há 5 ou 6 anos atrás, que nos tornaríamos tão próximas e, mesmo depois da escola, apertaríamos e fortaleceríamos mais ainda o laço da nossa amizade? 
É difícil acreditar no "pra sempre", ele é tão clichê e às vezes brega! Gosto de usar "para o resto da nossa existência", parece mais sincero e tem um tom menos apelador. Digo e repito que a nossa amizade é assim, sem esforços. Brota daqui do meu coração, e sei que daí do teu também. A gente cultiva e rega com muito carinho pra ele crescer saudável, sem ervas daninhas, com vivacidade e beleza.
Tem vezes que fico me perguntando se destino existe mesmo. Se sim, com certeza o nosso é sermos amigas e compartilhar os melhores e os piores momentos, afinal, amigo é amigo em qualquer espaço/tempo/circunstância.
Desejo a ti muito mais do que um feliz aniversário e muitos anos de vida. Quero que nesses anos consigas alcançar e conquistar tudo o que desejas, porque ninguém vai saber as melhores realizações pra ti senão tu mesma. Desejo clareza nas tuas escolhas e sabedoria pra toda a vida.
Obrigada por ser amiga, ouvinte, paciente, especial, alegre, sincera e ainda contagiar a todos com tua espontaneidade. Te amo, e isso não é da boca pra fora. É para o resto da nossa existência.
Feliz aniversário, minha amilga girl magia linda. ♥


quinta-feira, 12 de julho de 2012

É preciso esquecer




Passa a semana, passa o mês, passa o ano, passa até mais que isso e tem coisas que não mudam nem se a gente fizer questão das mudanças. Por que? É chato às vezes não poder seguir os próprios instintos e ser obrigada por si mesma a obedecer à razão. 
Todo dia eu tento afastar essa vontade de trazer esse teu calor pra me aquecer, tua pele pra me cobrir, tua voz pra me acalmar e me fazer serena de novo. Vou tentando chafurdar essas vontades na minha lixeira à proporção que sinto tua indiferença. 
Fecha tuas portas, coração. Por favor, fecha. Já basta o que tem aqui dentro. Tua função é pulsar sangue, não romance. Deixa-me pelo menos optar por não querer mais essas tuas escolhas.
Agradeço ao meu orgulho, insistente e guerreiro, que se faz presente não me deixando voltar a procurar abrigo em ti, maldito protagonista desse romance. A culpa foi tão tua quanto minha. Deixamos esvair o desejo de sermos só nós dois, o mais importante dentre todos os que tínhamos. Escolheste viver teus affairs sem compromisso e somente eu quis ter só o nosso. Pelas brechas aceitei viver como um dos teus, e foi aí que me perdi nesse labirinto de coisas proibidas. Me coloquei em meio às saudades, e tô tentando sair.
Mentalmente eu ainda te beijo e digo "boa noite", desejo-te bons sonhos, paz, e o nosso bem, sempre o bem. Resgato o carinho perdido e te falo coisas lindas - que sou tua, que me reviras a sanidade, que adoro deitar ao teu lado, mexer na tua barba mal feita, afundar-me em teus braços e me sentir protegida - porque no fundo existe esperança, mesmo não querendo, mesmo evitando a continuidade desse sentimento, encobrindo-o com finas palavras de desapego e de superação para me convencer que consigo viver sem ele.
Busco a cura, porque esse teu veneno circula ardente em mim, porque me faz mal e me levou ao extremo de te querer mais que tudo, até mais que a mim.

domingo, 1 de julho de 2012

I would like to say that...


Não gosto de demagogia e quero mandar o meu lindo e sincero “dane-se” para quem gosta de dar sermão. Meus queridos, entendam: eu não assisto à missa justamente por não acreditar que apenas ouvir  testemunho vai mudar minha vida ou a de qualquer outra pessoa. E ainda tem gente que põe nome de Deus no meio. Não suporto quem quer passar de bonzinho ou de exemplo de vida. Essa história de puritano(a) não cola comigo. Guarde sua saliva.
Sou errada e nunca neguei isso. Não preciso de ninguém dizendo o que eu devo fazer - se é com os meus erros que eu vou aprender. Deixa-me viver, deixa-me falar palavrão, reclamar do mundo e dos seus defeitos. Realizar os próprios desejos sempre foi e vai ser bom, prazeroso. O melhor da vida é aproveitar as chances, colorir os dias, distribuir alegria, rir com e de quem a gente gosta, guardar lembranças e aprender, sempre aprender.
E, afinal, não é com as nossas ações que a gente aprende? Por que diabos eu iria seguir conselhos de quem não tem a minha vida? Vou viver, queridos, do meu jeito. Vou viver de um jeito meio torto, errado, oculto, muito colorido e feliz, porque vale muito a pena ser feliz fazendo o que a gente gosta. Se você quer tal coisa, queira para si, mas não me peça pra ser algo que eu não sou, que eu não quero ser.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Hello, boy

É estranho ter tantas coisas boas acontecendo juntas. Não me lembrava como é bom ter quem aguente minhas chatices e mal-quereres. Fico sempre na dúvida se existem mesmo essas pessoas pacientes sincronizadas com o bom humor. Talvez essa minha questão tenha surgido porque paciência praticamente não existe no meu mundo, apesar do bom humor não ser ausente. Parece clichê dizer que vivo rodeada de ironia, ignorância e prepotência, afinal, quando alguém quer xingar outra pessoa, o fulano diz logo que o sicrano é ignorante, prepotente, etc e tal - mesmo desconhecendo a semântica das palavras. Pois vamos esclarecer. Significados segundo a 4ª edição do Mini Aurélio para FNDE/PNLD 2001: i-ro-ni-a: 1. modo de exprimir-se em que se diz o contrário do que se pensa ou sente. 2. contraste fortuito que parece um escárnio; ig-no-rân-cia: 1. condição de quem não é instruído. 2. falta de saber. 3. estado de quem ignora ou desconhece alguma coisa. pre-po-tên-ci-a: 1. grande poder de influência. 2. abuso de poder;

Pronto, agora quem leu até aqui não poderá mais falar que desconhece o significado dessas palavrinhas que parecem doce em boca de criança. Você e eu já sabemos que nós somos um pouquinho de tudo isso. Toda menina já disse um "Nossa, amiga, seu cabelo está muito bonito!" ironizando um "Nossa, amiga, você precisa ir no salão!". Não adianta negar, às vezes a gente ironiza para não machucar muito a outra pessoa, apesar de também usufruir desse dom para causar o escárnio. Ignorância é até aceitável para alguns seres - repito: ALGUNS - da face da Terra, afinal eles não foram bem instruídos, tipo esse pessoal que troca "mais" por "mas", "agente" por "a gente" e por aí vai. Mas, pra mim, se tem uma coisa realmente irritante é a prepotência. Ô gentinha nojenta essa que gosta de abusar do poder pra diminuir os outros, igual esse pessoal rico que faz questão de mostrar o que tem. Faça-me o favor, né? Não quero ofender ninguém, mas eu acho que o mundo seria melhor se esses seres não existissem.

Mas tá, acho que já estou fugindo demais do meu assunto principal. Pois então, rapazes e raparigas (não no sentindo vulgar), como eu falava anteriormente, paciência e bom humor: seria bom se todos tivessem essas dádivas sincronizadas. Talvez haja por aí um divino ser possuidor de qualidades como essas, e eu desejo que ele cruze o meu caminho pra ficar. Opa, acho que estou deixando algo passar, pode de esse ser já estar passando e querendo ficar. Vamos com calma, de mansinho, porque eu não quero que - o que agora é bom - dure pouco. Deve durar, durar muito, não gosto de investimentos frágeis e nem de cheques sem fundo. Precisa começar aos poucos e se tornar concreto. Nesse caso a paciência é útil e um dos fatores principais, porque o passado ainda causa interferência, e ser engenheiro dessa construção não é tão fácil. Mas eu tenho que dizer: vale a pena, pode acreditar.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sweet June


Junho chegou, e eu declaro aqui meu amor pelo melhor mês do ano. É tempo de alegria constante, festas caipiras e hora de esquecer a balança. São 30 dias repletos de risos, aniversários, comemorações e gordurinhas a mais. Eu gosto do exagero que Junho me traz. É tudo muito intenso e bom, deve ser por isso que esse é o meu mês. Obrigada papai e mamãe por me fazerem na primavera, a temporada das flores, e me darem a felicidade de conhecer a vida no inverno – o que é até difícil de acreditar com o calor contínuo daqui de Santarém.
Apesar dos impasses, eu tenho um carinho estonteante por tudo que me acontece nessa época. Maio pode ter sido um mês horrível, enjoativo, tedioso, abundante em desgraças, mas Junho compensa com melhorias em dobro. Aguardei ansiosamente para agradecer novamente o meu privilégio de desfrutar das coisas boas que ele proporciona. É inexplicável a positividade que me invade. Felicidade instantânea.

Que junho me traga todos os sorrisos que maio me roubou. Que venha com bons ventos que me traga sorte e amor, que não me deixe sofrer, por favor. Que esse mês tudo dê certo!”

QUE SEJA DOCE (:



quinta-feira, 24 de maio de 2012

Memories


Tenho escutado as músicas mais lindas e as cantado para as paredes. São quase perfeitas, e só os tijolos da minha casa tem recebido essas declarações. Insistem em sonorizar as memórias, e eu canto mais alto quanto puder que “beijo teus pés e me perco entre seus dedos” e berro alto Chico Buarque toda vez que toca “o meu amor”, sentindo em cada verso que ele “tem um jeito manso que é só seu”. Ah! Quem me dera ter um amor. Tenho aquilo que chamam de mal-entendido, mal-feito, mal-amor. Com sorte, antigamente eu provava dele twice a month, hoje nem isso. Tenho sido invadida por uma volúpia de falta de sorte carregada de desamor.
Há semanas – quase meses – desejo a descoberta de um novo destino para as minhas cantorias. Eu não desfruto de uma boa mira. Geralmente o meu tiro sai pela culatra e não vejo surgir efeitos. De repente incorporo Maria Rita e começo a cantar “conta outra, nessa eu não caio mais. Já foi-se o tempo em que eu pensei que você era um bom rapaz” e desejo que esse meu grito alcance o outro lado da cidade (ou talvez outra cidade) atingindo aquele ser distinto. Hora ou outra dá uma canseira, dou trégua e me guardo no silêncio. Deixo passar uns dias, talvez semanas, até um mês, mas sempre acabo voltando a cantar e gritar, e tudo o que eu contive durante a ausência do meu cantarolar, eu simplesmente triplico pra poder desabafar.
Ás vezes funciona. Não é toda tentativa de desaguar a dor que surte efeitos. Solto gemidos e soluços antes de dormir, a água salga o travesseiro, e nem sempre o sono ameniza a saudade. Saudade? Que é isso mesmo? Parece mais uma forma de tortura, assim como querer cortar a própria carne com faca cega. Já provei de outro doce pra ocupar a boca e quem sabe o coração, mas não adiantou. Fui ao doutor, ele diagnosticou lonjura, carência e preguiça de um novo gosto. Lonjura porque o bem que eu quero está longe não só da cidade, mas no meu passado. Carência porque amor só de parente e de amigo não resolve carma de mal-amado. Preguiça de um novo gosto porque é difícil largar do antigo.
Enquanto isso, continuo exaltando a vida, porque são nas cristas e nos vales em andamento que o futuro vira presente e o presente se torna passado. Logo, percebo que de nada vale almejar tanto as pessoas e os acontecimentos se não lhes atribuir o devido valor. Reparo nos detalhes: sons, toques, cores, brisas, cheiros, texturas, olhares. Guardo tudo na memória de elefante, porque nada volta e nada conseguirá transformar uma lembrança em realidade, por melhor que ela seja. Pego as boas e as ruins, construo meu patrimônio – minha história – e ergo no invisível meu muro de lamúrias e agradecimentos, ingredientes infinitos e que até hoje guardo dessas andanças e vivências, porque a luta continua e as memórias acumulam.



"A sua lembrança me dói tanto. Eu canto pra ver se espanto esse mal, mas só sei dizer um verso banal. Fala em você, canta você, é sempre igual.
Sobrou desse nosso desencontro um conto de amor sem ponto final. Retrato sem cor jogado aos meus pés. E saudades fúteis, saudades frágeis, meros papéis. "
Chico Buarque

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Confesso

        Sou meio assim, meio sei lá, insatisfeita, dramática, chorona, sensível – principalmente na TPM. Algumas vezes justifico meu status psicológico instável ao dizer que sou de gêmeos ou então porque eu estou realmente na TPM. Sou um pé no saco.

     Geminianas são conhecidas por serem “todas em uma só”, podem acordar distribuindo sorrisos pela casa, vizinhança, aula e/ou trabalho, trocar bruscamente por lágrimas durante a tarde e, repentinamente, à noite terem muito amor pra dar. Incrível como isso me descreve perfeitamente, e olha que eu nem era fissurada em astrologia até ler sobre o signo de Gêmeos para as mulheres. 

       É louco acreditar que às vezes me descubro em coisas tão bobas, simplórias, comuns. Acho inacreditável como filmes, obras, citações ou até mesmo aquelas músicas remosas me descrevem melhor do que eu mesma. Para isso, só existe uma hipótese: ainda estou me apresentando para mim, descobrindo o que gosto em mim, descobrindo o que quero de mim, descobrindo o que será de mim, e todas essas coisas a gente só descobre indo.

     Normalmente misturo assuntos – uma hora estou repassando a receita do meu bolo de chocolate, quando, de repente, começo a falar do meu ex-namorado que ainda me deixa louca – e isso deixa quem está por perto sem entender nada. Eu misturo tudo, esse é o problema. Gosto de mesclar tudo o que se passa na minha cabeça, e até eu me perco nessa bagunça. Faculdade, vontade de mudar de faculdade, desejo de ir embora, família, relacionamentos, amizades, comida, bebida, sacanagem, tudo vira um mingau só. Deve ser porque pra mim tá tudo interligado. É como se fosse impossível falar de rock e não desembocar em uma declaração de que eu preciso renovar meu guarda-roupa.

      São devaneios, eu sei, mas sem eles não seria eu. Gosto de ser complicada e despertar a curiosidade alheia. Gosto de ter a habilidade de deixar um quero mais. Tenho imaginação fértil e um pouco de audácia. Dou respostas atravessadas e nem sempre meço as palavras. Sou má filha, má influência, mas não má pessoa. Talvez um pouco sequelada com todas as minhas loucuras. Todavia, quando alguém me pergunta o que eu quero pra essa vida, eu só tenho a responder: SER FELIZ!