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terça-feira, 27 de maio de 2014

Tão estranho quando eu sinto o vazio, a angústia, a ausência que fica depois do fim. É curioso como podemos passar por todas as fases de um encontro e provar dos sentimentos doces e amargos. Bem adequado lembrar que o Wanderlei soube rimar sobre o mel e fel. O engraçado é que mesmo depois de tantos encontros (dos esperados aos imprevistos) não deixo essa mania de me apegar aos detalhes, de acreditar de novo, de colocar fé no suposto "verídico". Mas talvez essa seja a real graça, a bagagem, a experiência, a colheita do que se plantou. Ainda preciso acreditar nos efêmeros casos de amor até que chegue o dia de repousar o corpo em apenas um só corpo, no escolhido, no esperado e verdadeiramente destinado a mim - se é que eu ainda acredito em destino. Na verdade, por falar em destino, se ele existe, é bastante confuso. Sei que soa estranho, mas eu não seria a primeira pessoa no início da vida adulta a pensar se existe mesmo alguém que completa a metade da minha laranja. Não que precise ser alguém perfeito, mas poderia pelo menos ser uma pessoa disposta a aguentar meus ciúmes, minhas desconfianças, meus defeitos e ainda assim conseguir quebrar o gelo do "eu te amo" e despertar em mim o desejo de corresponder os carinhos e dar ao outro tudo aquilo que até hoje continua no campo da opressão. Acredite, o campo da opressão é bem grande.
O segredo pode ser encontrar alguém assim, ou apenas simplesmente me encontrar. Descobrir a si próprio às vezes é mais desafiador do que descobrir o outro.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A despedida

Oi, quanto tempo, né? Já faz dias que eu não tenho mais paz. Eu sei, não tinha muito, mas aquilo me bastava, e me satisfazia tanto que nem parecia realidade. Ou talvez nem fosse, foi por tão pouco tempo. O que é pouco? E o que é tempo? Não que pouco seja necessariamente um sinônimo de coisas curtas ou tão rápidas, mas acho que foi tão pequeno perto do que poderia ter sido. Quem sabe o tempo, curto ou longo, soube passar tão devagar que aquelas semanas pareceram meses. Quem sabe o pouco foi muito, e quem sabe o muito foi demais. Quem sabe?
Quem deveria saber era eu, era você, e que desconhecedores desse ramo nós somos. Que pena que nós já não somos nós, e mesmo não sendo nós, eu não quero que os nós desatem. Você quer?
Uma hora a gente sabia, podia ser a qualquer momento, que essa hora chegaria. E que triste, meu bem, é te ver partir e eu nem sequer me permitir de pedir pra você ficar. Não posso, não quero (ou quero?).
Compartilharia da tua felicidade se ela pudesse ficar junto de mim ao invés de partir, ainda mais sem destino certo. Que alegria seria se eu pudesse talvez zarpar contigo, mas que alegria seria essa se por ti eu deixasse a vida, os sonhos, a realidade, a família e tirasse os pés do chão? Eu queria tanto ficar no teu colo, mas quem seria eu se - fechadas as asas - me permitisse viver sobre a tua sombra? Que graça teria o viver se pelos prazeres eu perdesse os deveres?
Que triste, meu bem, mas parece que - por fim - chegamos aonde chegaríamos. Quanto mais tardou, mais queimou, mais pulsou, mais ferveu, mais amou. Amamos, fervemos, queimamos, tardamos, sofremos. Sofri, chorei. Sofro, chorarei. Mas um dia, meu lindo, por ti eu sorrirei.